sexta-feira, novembro 28, 2008

Boys Will Be Boys


You know what? Back then you could be playing me around like a little toy of yours, you could be fucking me up just for fun and pleasure but you can not do it anymore. No you don’t: your game is just so over and I’m so done with you. You know, I really hate you for the way you did things with me, while you were having fun saying you were in love with me I was just falling deeper and deeper for you and I feel so stupid now, because I was mad when you were mad, because I was sad because YOU were sad. You’ve shown me I could love again so just you could have your game, so just I could be your slave, because that’s what I was, a slave for you, but I’m so okay now. I found someone who really takes me for who I am and not because I’m a pretty face or a fucking good fuck, I found the perfect someone and now it’s time I laugh about you like you laughed, laugh it all in your face because you’ll never have what I got and now karma begins to make a little sense to me. It’s over and now I’m going to walk away from this room with the dignity you had taken from me that I came to get back while you can stay here crawling or doing whatever you want to, while you watch my open lips forming a devilish smile because I’m the winner baby, I have love and you got sex and love is SO much better, love is SO much fulfilling and sex is empty just like you. So, now get off my way and appear in front of me never again.
By the way, Happy Birthday.
Ps: O texto não se dirige ao modelo João Nunes, na foto.

terça-feira, novembro 11, 2008

Chiquissimas, muito!


And the winner of "Best Entertainment Ever" is: Chiquissimas!
Há que ter em conta a genialidade que Paulo Silva teve ao criar a melhor personagem ficticia de sempre a que deu o nome de Lila e enumerar e criticar os enumeros factos e delitos que a sociedade gay do Hi5/Porto comete. Na sua escrita incrivel e sarcástica, Paulo Silva nunca desilude os seguidores atentos e cada vez conquista mais fãs por todo o lado do país, é impossivel ficar indiferente a uma escrita que nos prende e diverte com uma capacidade fantástica.
Lila não tem absolutamente papas na língua, diz tudo aquilo que tem de dizer e de uma forma não muito simpática, mas nunca ninguem se importou com aquilo que foi dito até agora, chegando quase a agradecer por serem os retratados neste site em ascensão. O site é atacado por comentários bastante desagradavéis de pessoas que mantém o anonimato por vias de segurança (digo eu) ou apenas por diversão, mas isso não ameaça Paulo nem os seus defensores, porque o lema mantem-se "sempre a arrasar com elas".
Neste site podemos ainda encontrar aquilo a que Paulo chamou de "Roteiro Chiquissimo": onde obtemos uma breve descrição sobre todos os locais onde para a gente retratada pelo mesmo. Paulo oferece também um local próprio e adequado a criticas (boas/más) onde todos podem deixar o seu parecer sobre o "site sensação", o Guestbook.
As cores e imagens do site jogam com as músicas que variam de página para página, tudo "Chiquissimo" e de bom gosto.Em cada texto, há a possibilade de comentário, onde a maioria de seguidores aproveita para: discutir, falar, brincar e até "arrasar"
Uma conclusão: Chiquissimas, muito!
Ps: Clicar sobre uma das palavras a cinzento ;)

segunda-feira, novembro 03, 2008

Ao João, Claro

Quarta:


Não fazia mínima ideia do que falavas mas estava a deliciar-me com a tua inteligência. Ainda que eu não percebesse nada de contabilidade e administração não me afectava, sabia que nunca iria precisar de entender e classificar acções. Estava de coração (totalmente) aberto: pronto para receber tudo aquilo que tinhas para me oferecer.

Quinta:

O tempo passava cada vez mais devagar, começava a sentir os segundos a passar agora, cada um mais lento que o outro; de dia para dia sentia a respiração mais abafada (já para não falar das repentinas oscilações cardiologistas que sofria ultimamente): era a ansiedade a aumentar. Fitava o meu tecto escuro e não me saía da cabeça o momento em que iríamos estar juntos. Precisava de te ver cada vez mais como quem precisa da água e tinha medo que isso, por si só, não fosse bom de todo. Entretanto, adormeci.

Sexta:

Halloween. Fazia imenso frio lá fora e chovia de quando em vez, mas isso eram coisas que não afectavam o quente da nossa cama: onde eu estava entrelaçado em ti. No filme as pessoas iam morrendo uma a uma e eu pensava em como seria se te perdesse, apoiei a minha cabeça no teu peito e deixei-me envolver pelos teus braços musculados, estava tudo perfeito, sentia amor pela primeira vez, no seu estado mais puro, era bastante diferente de tudo que já havia experimentado, muito intenso e arrebatador e o medo que tinha desaparecia como água a ferver por detrás desses braços tão perfeitos, tão perfeitos: que eu implorava para que o tempo parasse.

Sábado:

Desaprendia o sabor do sexo e começava a aprender o do amor, que é muito mais terno e doce, que preenche muito mais as pessoas. Já não me lembrava do que isso era, a Felicidade que provem do Amor, aliás nunca a conheci desta forma - sempre tive esperança que a encontraria um dia e as minhas pernas concordam quando estão na conversa com as tuas, até os meus lábios que se sentem desidratados sem os teus sabem que a encontrei em ti. Sentia que não me faltava nada, que estava tão feliz que se o mundo desabasse eu não sentiria e não tenho mais medo desse sentimento. O vento soprava gelado lá fora mas cá dentro estava bem quente e aos meus olhos não parecia que iria arrefecer algum dia.

Domingo:

Sinto que podia viver sempre assim, acordar sempre a teu lado e dormir protegido nos teus braços, sinto que é mesmo isso que quero para mim, estou mais feliz que nunca: é como se tivesses o meu manual de instruções e soubesses exactamente o que fazer. Tenho vontade de me ir embora contigo, deixar tudo por ti, mas tudo tem o seu tempo e os teus olhos dão-me a certeza que isso acontecerá um dia, que seremos eu e tu com um para sempre em nós. Estou a voar muito alto e não me preocupo com isso, sinto-me amado, sinto-me protegido, sinto que vais ser sempre uma rede por baixo do meu voo bem sucedido. Sinto a tua falta na minha cama, em mim, sinto-me metade sem ti, incompleto e espero cá dentro que estejas a sentir o mesmo. Falta-me o teu beijo, o teu toque, aquele que quero ter em todos os dias da minha vida porque me são necessários. Sabes uma coisa? Eu amo-te.

domingo, outubro 19, 2008

Um Palhaço Chamado Soraia

-Soraia, entras a seguir.
Fazia os últimos preparos, verificava as pestanas e o rímel, o pó de arroz em demasia, os pêlos da barba que escapavam sempre à pinça e colocava por fim o batom vermelho que me oferecia uma extra confiança e contrastava com perfeição a tez pálida que o pó me oferecia.
Eu era uma artista, ninguém me podia tirar isso, a minha profissão era ser artista. O meu filho Paulo nunca me aceitou como isso, ao inicio ainda me vinha ver com a Judite:
-Mãe, que vergonha é essa? O meu pai é um artista!
Acabou a achar que eu era um palhaço, cheio de pinturas e cabeleiras que me escondiam a identidade e eu nunca o chamei de filho. Quando ele estava por minha casa, onde apareciam as minhas colegas ou até clientes
-É o filho da minha irmã
Oferecia-lhe 20 escudos para ele se entreter na rua com guloseimas. Hoje sou apenas um palhaço velho a realizar o último espectáculo.
-Estás velha Soraia, já não tens idade para isto
E logo apareceu uma cara nova a quem chamaram de “ a próxima Soraia”, tantos anos dedicado e agora sou apenas substituído.
No dia em que a Judite me apanhou os vestidos e as cabeleiras que me escondiam a calvície: pôs-me as malas à porta
-Porquê Carlos?
Antes era apenas o marido perfeito, as figurinhas do bolo perfeitas, as amigas da Judite todas me cobiçavam
-Porquê Carlos?
Mais tarde tornou-se alcoólica, o Paulo foi levado pela assistente social e entregue a uma família conhecida do outro lado de Lisboa e quando o acabou o dinheiro enrolou-se com o dono do café do Bico da Areia em troca de vinho e com os outros cães todos por dinheiro.
Visitava o Paulo de tempos a tempos, até ao dia em que ele se meteu na heroína – queria voar – ainda pensei vê-lo por vezes entre o público, talvez com a Gabriela, a enfermeira que o ajudava e com quem acabou por se casar
-Aquele não pode ser o teu pai Paulo, é uma artista
Mas eu não sou uma artista, sou um palhaço chamado Soraia que envelheceu. Eu sou o Carlos, sem pestanas nem unhas, sem cabeleiras nem pinturas, eu sou o Carlos que ajuda a Dona Aurorinha do terceiro andar com as compras que ela não pode dos joelhos, sou o Carlos que era cobiçado e teve um amor em tempos, sou o Carlos, o pai do Paulo.
Eu sou o Carlos
-Soraia faz com que o cliente da mesa nove beba champanhe, fá-lo gastar!
A Dona Amélia andava com o cesto por entre todas as mesas a vender chocolates e cigarros, foi ela que nos ensinou a dançar a todas, estava mesmo acabada, era a única verdadeira mulher entre nós, sentiria a sua falta.
A Sissi chegava agora aos bastidores, olhei-me uma ultima vez ao espelho, verifiquei as pulseiras e os colares, estava à altura do meu último espectáculo
-Soraia para o palco!
Ao subir as escadas senti as costas a falhar, com espasmos contínuos, a luz focou em mim e senti os pulmões a abafarem, a tuberculose piorava de dia para dia, julguei ver o Paulo na plateia – talvez com a Gabriela -, julguei ver a Judite ao lado do Alcides, o porteiro e quando a musica começou e os meus lábios mexeram de acordo com a voz da Marilyn Monroe, ali a morrer eu ouvi uma ultima vez
-Porquê Carlos?