Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias Futuristas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias Futuristas. Mostrar todas as mensagens

sábado, novembro 27, 2010

Memórias Futuristas #2.06

Assim que ele saiu do elevador vieram-me montes de perguntas à cabeça que queria formular e lançar-lhe, mas acima disso apareceu-me uma dúvida pertinente: como haveria eu de o cumprimentar? E tantas voltas dei à cabeça que antes que queimasse um fusível estendi-lhe a mão para que ele a pudesse apertar. Ignorou-a, vergou-se ligeiramente para a frente e beijou-me a testa (ele sabe perfeitamente como isso me deixa sentir bem) - sem mais demoras deixei-o entrar no apartamento e depois de ele ter dado um olá às miúdas fomos até ao quarto.
Era mesmo esquisito tê-lo ali, de novo num quarto (que mesmo que outro) meu e não o poder ter-me nos seus braços protegido como antigamente... As palavras fartavam-se de me fugir e eu estava com medo de não conseguir dizer nada até ele quebrar o gelo
-Precisava de ver-te, de falar contigo nem que fosse pela última vez...
-Desculpa Rogério, mas não sei mesmo que te dizer. Desculpa teres descoberto da existência do Gerard na minha vida daquela maneira!
-Se não fosse daquela, iria ser doutra e qualquer uma seria má.
-Há uma coisa que tenho de perguntar antes de dizeres porque aqui vieste em concreto!
-Chuta.
E eu queria chutar com toda a força, mas havia algo a prender-me o pé e as palavras ardiam-me na boca sem as conseguir pôr cá para fora.
-A sério, diz lá!
-Tu não mataste o João, ele está vivo!
-Como sabes?
-Ele apareceu na noite de estreia por lá: a pedir que o perdoasse...
-Aquele filho da...
-Ele disse que nunca mais o iria voltar a ver! Mas continuo sem perceber o que aconteceu naquela noite...
-Bem, como percebeste eu nunca o cheguei a matar... Vontade não me faltava mas...
-Mas o quê?
-Depois de te deixar no carro, naquela noite, voltei lá em cima e após três socos contive-me e amarrei-o à cama apenas. No dia seguinte voltei lá para busca-lo e levei-o para ele ser internado numa clínica psiquiátrica. Eu não podia sujar as minhas mãos, eu não sou esse tipo de homem.
-Não entendo!
-O que não entendes?
-Não entendo porque o fizeste morto aos meus olhos!
-Para te proteger Ricardo!
-Mas foi isso que fez com que me afastasse de ti...
-Sim, eu sei. Entende uma coisa: por mais que me custasse, eu preferia perder-te a teres que viver uma vida no teu medo. Tu estavas perturbado, traumatizado até.
-Então, foi tudo por mim?
-Que outra razão? Só tu Ricardo. Eu vivia para ti.
Naquele momento, por mais estúpido que parecesse eu comecei a chorar, porque aquilo que eu via era verdadeiro amor, mais do que alguma vez ele me tinha dado.
-Desculpa ter-te mentido.
E veio abraçar-me e eu a empurra-lo para trás com
-Agora é tarde demais.
Ele não se deu por vencido e
-Volta Ricardo. Vem viver comigo, traz as miúdas contigo!
E eu não podia
-Agora eu tenho o Gerard, se isso significa alguma coisa. Agora a minha vida é aqui e a tua há-de ser sempre em Lisboa.
-Foi por isso que aqui vim hoje.
-Isso o quê?
-Eu fui transferido. Eu vivo cá no Porto agora e estou decidido a lutar tudo de novo por ti, porque aonde tu estiveres é onde a minha vida há-de ser!

in Porto - Memórias Futuristas

segunda-feira, novembro 15, 2010

Memórias Futuristas #2.05

Sim, ali do nada aparecia o Rogério e eu no quarto com o Gerard tão disposto já a esquecer todo o meu passado com esse grandalhão. Se ele estava ali - ainda que eu não fizesse a mínima ideia como - é porque algo há para me dizer e assim de repente eu estava com muita vontade de o ouvir.
Havia simplesmente um problema de percurso: o Gerard ali no quarto já a salivar para me ter na cama às cambalhotas e eu não podia deixar que o Rogério aparecesse ali do nada - já que o o encenador julgava que ele era um simples admirador (se é que ele se lembra sequer dele).
Eu não podia sem mais nem menos pôr o Gerard a mexer daqui para fora do nada (mas o tempo estava a ficar cada vez mais curto e) eu precisava de uma boa desculpa rápido - e já que eu não ovulo ou tenho útero e período menstrual, chegou-me a segunda melhor desculpa à cabeça
-Ai, está-me a doer muito a cabeça de repente!
disse eu com as mãos à testa e os olhos semi-cerrados
-Que se passa?
-Não sei, não sei... Preciso de me deitar.
-Vou-te buscar um comprimido e um chá qualquer...
-Não! Quer dizer, não é preciso... Só quero mesmo descansar.
-Então eu deito-me aqui ao teu lado!
Okay, ele ia ficar ali - não estava a resultar... Até que
-Ricardo, a Ana está a precisar de ti! Julgo que é outra crise...
Era a Raquel que entrava de rompante para "me salvar" (eu já fazia uma pequena ideia de que estas duas estavam por trás do Rogério aparecer ali)
-Vai lá Ricardo, eu espero aqui por ti!
disse simpática e pacientemente o Gerard - ao que a Raquel respondeu
-Não! Aquilo vai durar, desculpem mas é melhor o Gerard ir embora hoje... E pelas escadas que os elevadores andam loucos!
Aquela era escusada, ela não estava a dar pouco nas vistas. A verdade é que não havia nada a fazer e o tempo estava no limite. Despedi-me do Gerard, abri a porta das escadas e assim que o despachei a porta do elevador abriu e o príncipe encantado - tal como nos contos de fadas - voltava agora para mim (mas talvez fosse tarde demais).

in Porto - Memórias Futuristas 2.0

quarta-feira, novembro 10, 2010

Memórias Futuristas #2.04

Já lá vai uma semana desde a estreia e eu e as miúdas já estamos bem ambientados ao Porto. Em relação a Lisboa isto é muito mais sossegado e seguro e as pessoas são muito mais quentes e simpáticas umas com as outras; além disso estamos a meia hora da nossa querida terrinha e vamos lá sempre que podemos.
Neste momento estamos a dividir um enorme T3 perto da zona do Marquês (e logo, perto de tudo); são uns apartamentos novos e giros e temos um ginásio e tudo. A Raquel traz muitas vezes o Pedro (o namorado) cá para casa e ás vezes é ela que não dorme cá. Agora também estamos perto da Nathalie, das loiras e de muitos nossos outros amigos e fazemos noitadas cá em casa muitas vezes. A Ana está a adorar o curso e portanto nem pensa em rapazes por enquanto - ela sempre foi um anjinho no que toca a essa matéria...
O Gerard está cá em casa muitas vezes e elas já se habituaram a isso, elas até gostam dele - mas não admitem porque têm saudades do Rogério. Falar em Rogério, nunca mais ouvi nada dele desde a noite de estreia - magoa-me tê-lo feito saber das coisas daquela maneira, mas não há muito que eu possa fazer agora, certo? Tentei ligar-lhe duma cabine telefónica há dias só para poder ouvir a voz dele, mas ao que tudo indica ele mudou de número - não deve querer ver-me mais na frente dele alguma vez. Ainda que eu estivesse apaixonado, nunca iria resultar com toda esta distância.
Menti. Eu não tinha ouvido falar do Rogério desde a noite da estreia até agora, estava eu na varanda do quarto a fumar um cigarro com o Gerard, quando vi um Audi Q7 a estacionar à porta do prédio e por mais que eu tivesse a certeza que o Rogério não sabia onde eu morava eu tinha a certeza de quem ali tinha chegado...

in Porto - Memórias Futuristas


Ps: para vos compensar amanhã sairá outro episódio .

terça-feira, outubro 19, 2010

Memórias Futuristas #2.03

Havia algo que não batia certo. Eu era a presa de novo, mas desta vez eu estava consciente e o meu predador que devia já ter sido abatido insistia em atacar mesmo assim. O meu medo era o reflexo do passado e assim que tomei consciência disso ergui-me perante o João e fiz-lhe frente
-Que estás aqui a fazer?
As palavras nem me tremeram, eu era um homem perante outro igual e desta vez ele não ia conseguir amedrontar-me
-Vim apenas felicitar-te! Quer dizer, queria também pedir-te desculpa por tudo aquilo que fiz: eu estava doente, não tinha consciência daquilo que te estava a fazer... No dia a seguir àquela noite fui internado numa clínica; fui libertado na semana passada. Peço realmente que me perdoes.
Eu estava parvo com tudo aquilo que estava a ouvir - afinal o que tinha acontecido naquela noite depois de eu ficar inconsciente?
-Sabes Ricardo, estava com medo de vir aqui, mas não podia viver bem comigo sem te pedir perdão pelo que fiz. Prometo que nunca mais me voltarás a ver...
Assim que ele disse isto, depois de uma batida na porta o Gerard entrou de braços abertos e deparou-se comigo semi-nu e com aquele desconhecido.
-Quem é este senhor Ricardo?
Perguntou atónito e com o seu sotaque inglês carregado
-Não sei. Nunca o vi na vida Gerard; entrou por aqui adentro... Até me assustei: chama a segurança!
-Não é preciso, eu vou-me embora sozinho. Desculpa Ricardo!
João olhou o chão e saiu com cara de cão abandonado dali para fora deixando a porta aberta atrás de si!
-Há cada coisa!!!
Disse Gerard e abraçou-me de beijos deixando-me todo mimado - e sem que eu reparasse estava ali o Rogério com um ramo de flores a observar-nos. Deixou o ramo cair no chão e foi-se embora esmagado pela visão que acabara de ter.
-Vejo que fazes furor com os homens do público. Tenho de me pôr a pau, já é o segundo este!
E eu quis dizer-lhe que não, que aquele iria ser sempre o primeiro...

in Porto - Memórias Futuristas

quarta-feira, outubro 13, 2010

Memórias Futuristas #2.02

Volto ao palco com o resto da malta pelos aplausos. A plateia aplaude de pé e percebo que tudo correu pelo melhor... Custou-me arrancar no princípio, mas assim que comecei segui o meu percurso de acordo com o planeado. E pela primeira vez conseguir chorar em cena como jurei não vir a conseguir, mas se chorei não foi por não crêr mais na humanidade, mas por todo o meu passado ter vindo ao de cima e eu me relembrar como é estar apaixonado: o Rogério não tinha o direito de aparecer aqui! Sinto lágrimas de alegria a cair-me pela cara e entendo como é bom ter ali a minha família, os meus amigos e toda a gente que encheu esta sala para presenciar este grande grande momento da minha vida.
Dirijo-me ao meu camarim pessoal desgasto da emoção e começo a tirar a roupa e a coloca-la de lado quando alguém bate à porta. Estou apenas de boxers, mas não é nada que o Gerard nunca tenha visto antes - por isso despacho-me a abrir para que ele me possa elogiar e abraçar. Abro a porta e viro costas para continuar o meu trabalho (e mostrar que achei que correu mal) e ouça a porta a fechar depois de alguém entrar.
-Estás cada vez mais bonito!
E não é o Gerard, mas eu conheço aquela voz e começo a lembrar-me de tudo e em particular daquela voz a gritar-me "Tu és para mim". Começo a tremer, viro-me e deparo-me com o João. Sim, esse João que supostamente o Rogério tinha morto estava agora ali: à minha frente com os mesmos olhos de predador a olhar para mim
-Sabes como eles dizem... "Long time, no see!"
Estou congelado pelo medo que as recordações me trazem e tal como há umas horas atrás "Estou perdido".

in Porto - Memórias Futuristas 2.0

quarta-feira, outubro 06, 2010

Memórias Futuristas #2.01

Os nervos começavam a crescer dentro de mim. Era a estreia da peça e era um grande passo na minha vida: era agora que eu podia provar ao grande público que era bom nisto... Eu era Jesus Cristo; é uma adaptação diferente da bíblia (um quanto polémica) em que Judas e Jesus são namorados, Maria Madalena é prostituta e melhor amiga de JC e Judas enforca-se não por vergonha, mas porque perde o amor da sua vida. Juro que esta peça poderia ter sido escrita por mim!
O encenador chama-se Gerard: é inglês, um pouco mais baixo que eu, tem olhos azuis e um cabelo curto loiro. É muito bonito e sem ele eu nunca tinha conseguido isto.
O Verão já está a ficar meio apagado, mas foi um grande Verão; estive a trabalhar muito para isto, curti imenso e conheci montes de gente bonita. A Ana está finalmente a começar as aulas no curso que realmente quer, a Raquel tem um namorado que é um querido de um rapaz e o Diogo já passa nas rádios mais ouvidas em Portugal.
Faltam dez minutos para entrar em cena e o Gerard vem desejar-me sorte e acalmar-me: beija-me como só uma pessoa com trinta e quatro anos sabe e diz-me que eu sou a peça dele - que nada fazia sentido sem mim.
Eu e o Gerard "a meio" que namoramos, no início foi só pela sensação de dar uns beijos ao chefe e sentir-me com mais confiança, depois começamos a ir para a cama e agora já dizemos "gosto muito de ti" um ao outro. Tem sido bom para eu me mentalizar que o passado é isso mesmo...
É agora. Há uma luz no palco e eu tenho de a seguir para me localizar ao centro - de túnica branca, cabelo enorme e barba de meses - ali estou eu pronto para começar! Olho a primeira fila: Mãe, Pai, Irmão, Ana, Raquel e mais alguns grandes amigos... A luz dificulta, mas por detrás da Ana consigo ver o grandalhão do Rogério (pela primeira vez desde que tudo acabou) e o meu coração congela e as palavras que eu devia dizer não querem sair. Estou perdido...

in Porto - Memórias Futuristas



Ps: O meu blog há uns meses valentes não consegue fazer o up-load de fotos, alguém consegue me ajudar?

Memórias Futuristas #2.0

3

2

1

Está no ar .

segunda-feira, setembro 06, 2010

a pedido de muitas famílias (e porque era necessário)

Memórias Futuristas arranca com segunda temporada em Outubro de 2010 .

(YEEEEEEEEEEY!!!)

sábado, junho 19, 2010

Memórias Futuristas #20 - ÚLTIMO

Não dá para acreditar no que tem acontecido.
As aulas terminaram antes de ontem e a vida de toda a gente por aqui mudou. Bem, por onde hei-de começar?
A Raquel sempre foi contra esta mudança para Lisboa: o que ela realmente sempre quis foi ficar no Porto (para estar mais perto de casa e) porque as Universidades são melhores - e vai-se a ver - a miúda com aquela grande média conseguiu transferência para aquela maravilhosa cidade.
Escusado será dizer que a Ana optou por mudar de curso e a consequência disso é que a rapariga também decidiu concorrer para o Porto que é bem mais interessante e sempre poderá assistir a mais jogos de futebol da sua equipa de eleição: também não queria separar-se da Raquel (claro).
Não consigo deixar de mostrar um grande entusiasmo quando falo sobre o Diogo agora - que num mês começou a vender como nenhuma banda em Portugal fazia há algum tempo: para além duma voz incrivelmente sensual, os integrantes da banda são todos uns sexy de meter inveja.
Sim, eu sei que tenho de falar sobre o Rogério. Pronto, já lá vai um mês desde que nos começamos a separar e por mais que ele tenha insistido no início: eu não conseguia aguentar a nossa relação por agora - tudo bem que talvez ele fez aquilo que tinha de ser feito ao João, mas não consigo deixar de vê-lo como o "Padrinho" que poderia tornar-se uma ameaça para todas as pessoas com quem eu estivesse enervado - quer dizer - eu sei que estou a exagerar: mas ele é um assassino, não? Isso mete-me confusão e eu ainda não estou pronto para ter contacto físico com alguém. Não depois daquilo que aconteceu...
É isso. Nós não estamos mais juntos. Claro que isso me deixa triste e claro que talvez o veja ainda na minha vida: mas não agora, não para já ou para daqui a pouco tempo - simplesmente não ia resultar; ainda por cima recebi uma notícia que ia acabar por matar a nossa relação.
Adivinhe-se lá que eu fui convidado para uma mega-produção de teatro a começar em Setembro (que provavelmente vai oferecer-me a projecção que eu queria) e os ensaios começam já daqui a uma semana: no PORTO.
É eu também vou ser transferido para o Porto no próximo ano lectivo e sim, eu basicamente sei que posso estar a perder o Rogério para sempre - mas isso não me está a impedir de seguir o meu sonho agora, logo acho que estou a tomar a decisão correcta em agarrar a oportunidade e deixar a capital para ir para a invicta com as meninas.

As malas estavam feitas, o Diogo soltou umas lágrimas e a Raquel e a Ana estavam meias comovidas e a mim só me apetecia agarrar o chão e ficar nesta cidade que me ensinou a ser independente. Mas agora era tarde demais. Despedimos-nos da próxima grande voz de Portugal com abraços e beijos na testa e entramos naquele comboio em direcção ao Porto. Tinha a certeza duma coisa: para além do Porto, aquele comboio estava a partir para uma nova vida.

in Lisboa - Memórias Futuristas

terça-feira, junho 08, 2010

Memórias Futuristas #19


Tinham passado quatro dias desde o acontecimento. A última coisa que me recordo é de me sentir nos braços do Rogério e depois nada: nada mesmo. Quando acordei na manhã seguinte tive uma reacção inesperada - ele estava a agarrar-me contra o corpo dele como se me protegesse do mundo lá fora e eu comecei a espevitar para todo o lado, enquanto o pontapeava e lhe espetava os cotovelos no abdómen; não sei o que me deu, mas eu não conseguia que ele me agarrasse ou tocasse - como se de algum traumatismo se tratasse.
Ele sentiu-se impotente, inútil: feri-lhe todos os sentimentos como se lhe pisasse o coração - mas era algo mais forte que a minha capacidade de controle. Agora nem sei como estamos, ainda não ganhei coragem para perguntar o que aconteceu no resto daquela noite e ele não me tem pressionado com medo que eu tenha um novo ataque de pânico.
Não recebi mais mensagens ou chamadas do João, desapareceu por completo e isso no fundo preocupa-me: porque ainda que o queira ver do outro lado do Planeta Terra tenho medo do que o Rogério possa ter feito.
Nem tudo é mau por aqui: estamos a um mês do final das aulas e a Raquel foi considerada a melhor aluna do curso dela, a Ana já se conseguiu compor melhor e coser de volta alguns dos pedacinhos do seu coração e dentro de dois meses o primeiro álbum da banda do Diogo sai para venda. Estou feliz por eles todos e ainda que nos dois primeiros dias não se falasse do assunto, agora fala-se e têm-me oferecido os melhores apoios que poderia ter arranjado.
Ontem à noite acordei aos berros (nem me lembro do que estava a sonhar - mas faço uma pequena ideia)e alguém ligou ao Roger que se pôs cá num ápice; era de esperar que eu me sentisse melhor, mas não foi isso que aconteceu: acho que algo em mim continua perturbado e parece que há um muro de Berlim segundo entre nós e não nos podemos tocar.
Eu quero falar com ele, quero mesmo perguntar o que aconteceu: até porque me sinto inseguro e amedrontado quando saio à rua - parece que vejo o João em toda a parte e isso não é nada saudável neste momento.
Pedi o carro emprestado ao Diogo com jeitinho e fui até casa do Rogério, ele não esperava ver-me ali (e sinceramente eu nem sei como consegui chegar lá) mas fui e sem grandes rodeios perguntei o que tinha acontecido
-Trouxe-te até ao carro e depois voltei lá em cima...
-E depois?
-Depois descobri que ele tem problemas mentais, que é medicado e que não era a primeira vez que fazia algo assim...
-Houve mais antes de mim?
-Sim, houve. Encontrei fotos de outros e tuas lá em casa. Ele perseguia-te!
-Não posso...
-Talvez os outros não tenham tido tanta sorte como tu.
Houve um grande silêncio entre nós até ele o quebrar e se descair
-Eu só quero o teu bem e magoa-me que já não te consiga proteger: que tenhas medo de mim Ricardo!
Neste momento ele estava a ficar com os olhos cheios de água e isso partia-me o coração
-Que fizeste?
-Fiz o que tinha de ser feito...
-Que fizeste tu?
-Eu tinha de te proteger Ricardo... Eu acabei com ele!

in Lisboa - Memórias Futuristas

terça-feira, junho 01, 2010

Memórias Futuristas #18


Ali estava eu assustado com o barulho que todo aquele bater na porta provocava e mesmo assim pouco me conseguia mexer já; de repente todo aquele esbanjar de som latente na minha cabeça parou - acalmando-me mas ainda assim - despertando-me uma dúvida: porque havia ele parado? A porta estava trancada (isso dava-me uma segurança) e comecei a imaginar que tinha o Rogério ali ao meu lado - a agarrar-me e a proteger-me de tudo isto que me estava a acontecer; sempre me achei capaz de resolver todos os meus problemas, sempre me achei capaz e independente (sem precisar de um namorado que me defendesse), mas desta vez tudo tinha fugido ao meu controlo - desta vez eu não podia fazer as coisas por mim: eu precisava dele e tinha a certeza que nunca o desejei tanto como agora.
O movimento que senti do outro lado da porta fez uma febre subir dentro de mim, (já havia entendido porque o barulho tinha parado!) - ao que parece havia mais que uma chave, ou as fechaduras das portas eram equivalentes - a chave da porta caiu no chão e havia outra a tentar abrir a porta do outro lado: tarefa que foi fácil e rapidamente concretizada.
Éramos dois naquele compartimento e eu mal conseguia vê-lo (ao longe, enevoado)
-João, por favor...
Assim que disse isto levei uma patada na barriga do pé dele e encolhi-me como um bicho de conta ou como um feto dentro da sua bolsa; depois desta veio outra e outra e outra ainda, sentia alguma dor ainda que o meu corpo estivesse meio anestesiado
-É para aprenderes a não seres mau para mim Ricardinho...
Senti-o puxar-me o cabelo em direcção a ele e a lamber-me a cara como se do meu cão se tratasse, senti-o a manejar o meu corpo mole com movimentos bruscos e mandando-me contra a parede vezes que não me consigo recordar e gritando-me sempre
-Até perceberes que este agora é o lugar onde pertences!
Assim que me começou a puxar os calções fora e comigo já meio a dormir ouviu-se um grande encontrão na porta de entrada, ouviram-se dois, ouviram-se três e por fim ouviu-se a porta a ceder com a facilidade com que acontece nos filmes e senti as mãos do João saírem de cima de mim, senti uns braços erguerem-me no colo e lembro-me ainda de ver a figura do Rogério a acartar-me para fora de todo aquele cenário. Os lábios dele tocaram-me e caí desmaiado ao som das suas palavras
-Eu vou tirar-te daqui Ricardo, eu vou mata-lo por ti...

in Lisboa - Memórias Futuristas

terça-feira, maio 25, 2010

Memórias Futuristas #17


Comecei a sentir uma onda de pânico dentro de mim e fiquei estático - assim que consegui peguei no meu telemóvel atrás das costas e enviei a mensagem que tinha guardado nos Rascunhos com a morada ao Rogério para que ele me pudesse vir buscar o mais rápido possível. Assim que o João reparou tirou-me o telemóvel da mão com facilidade (que a minha força começava a ficar escassa) e nem tenho a certeza que consegui fazer a mensagem chegar
-Vou embora João. Acabamos isto noutro dia...
-Não me parece que vás a lado algum Ricardo!
Quando disse isto atirou-se para cima de mim e começou a apalpar-me as pernas e a beijar-me o pescoço - tentava ao máximo soltar-me dele, mas não conseguia
-Porque me estás a fazer isto?
-Assim que encontrei o teu blog por um acaso soube que te queria para mim e tens de ser meu, entendes?
-Que estás a querer dizer?
-Nunca houve editora nenhuma Ricardo. Através do teu blog descobri que tinhas escrito um livro e daí a arranjar o teu número ou morada foi muito fácil.
-Tu és louco. Larga-me!
-Eu tentei ser um sedutor, tentei trazer-te a bem, mas tu não me deixavas.
-Então decidiste drogar-me?
-É para o teu bem!
Com alguma da força que me restava dei-lhe uma joelhada bem no meio das pernas que o fez ganir e cair para o lado; comecei lentamente e com alguma dificuldade a dirigir-me para a porta - mas estava trancada e não havia chave.
Ele estava a levantar-se e a vir em direcção a mim com alguma fúria aparente e eu que não podia das pernas fui de gatas (perdendo a força nos braços por vezes) para a casa-de-banho.
Não consegui chegar a tempo e ele agarrou-me o cabelo puxando-me para ele e fazendo-me gritar de dor, agarrou-me a t-shirt e rasgou-a sem hesitar e eu assim que pude dei-lhe uma dentada na mão que quase lhe arrancava um dedo fora. Aproveitei a distracção e tranquei-me na casa-de-banho com sucesso desta vez.
Ele gritava do outro lado, queria que eu abrisse a porta e eu estava a ouvi-lo cada vez mais longe - os meus sentidos perdiam agora afinação. Não tinha telemóvel, não tinha o Rogério, não tinha ninguém e quando o desespero me preencheu não consegui evitar as lágrimas de Medo.
Perdi o controlo sobre mim e deixei-me cair sem forças no chão de azulejo.

in Lisboa - Memórias Futuristas

terça-feira, maio 18, 2010

Memórias Futuristas #16


O público estava ao rubro - não era como nas outras noites apagado: era barulhento, activo e participativo e alguns da primeira fila até sabiam algumas das letras de cor. No final ele era uma pessoa mais feliz (mais realizado) - havia uma mulher loira que o esperava com um cartão de visita
-Contacta-me
Leu o cartão. Era uma editora que estava interessada neles (faltou pouco para saltar de alegria, mas por responsabilidade não o fez). Enquanto o Diogo se tornava iludido com tudo que estava para vir, eu estava no outro lado da cidade a tentar fazer-me entender ao João (que talvez tenha interpretado mal as minhas intenções)
-Eu sei que me desejas, mas não queres desiludir o teu namoradito
-Não João, eu não quero nada contigo a não ser uma coisa estritamente profissional. Começo a ficar cansado que não entendas, porque se assim for pego no meu livro e levo-o a outras freguesias.
-Pronto, pronto. Não quero que percas a oportunidade. Aceitas uma Margarita?
Lá aceitei. Os morangos e o champanhe estavam a ser digeridos já e uma Margarita não me ia embebedar - bebo uma, assino o contrato e ponho-me a andar.
Lá veio ele com a bebida e com a pilha de nervos que estava mandei-a quase toda duma assentada - mas não era desta que ele trazia o contrato: estivemos à conversa. Falamos sobre a capa, falamos do sucesso, falamos de dinheiro e da responsabilidade do acontecimento - se houver sucesso com o primeiro há prazos para entregar o segundo.
Comecei a relatar com a conversa, mas comecei a sentir o relaxamento exagerado, comecei a sentir as pernas leves e a cara dormente, o chão fugia ás voltas e a cabeça pesava-me
-Estás bem Ricardo?
Não, eu não estava nada bem
-Que me fizeste?
-Pensei que uma pessoa como tu sabia que não se deveria aceitar uma bebida que não se viu ser preparada
E dito isto riu-se vitorioso olhando para mim como um predador olha a sua presa.

terça-feira, maio 11, 2010

Memórias Futuristas #15


Havia uma grande ansiedade dentro de mim para que a noite chegasse e era normal - estava a cerca de umas horas de realizar um sonho antigo meu (que até já estava empoeirado dentro de uma gaveta) e nada me podia manter calmo e quieto agora.

Para contrariar o que vocês estavam à espera: eu não menti ao rogério nem tentei esconder aquilo que ia fazer esta noite; foi dificil explicar-lhe porque tinha de ir sozinho, mas ele está realmente a tentar manter esta sua nova versão de mais tolerante em relação ao João e lá acabou por aceitar que eu fosse por mim próprio fazer isto.

Para além de uma grande ansiedade eu continuava com uma grande dúvida em mim: quem foi o meu querido amigo ou amiga que teve a magnífica ideia de ligar à editora? Quero que essa pessoa saiba que eu estou mesmo muito agradecido e que o venero muito, porque no fundo sem esta ajudinha eu nunca teria conseguido.

A Ana Luísa tentou ficar contente por mim, (mas nada a alegra muito nos últimos dias); já a Raquel anda radiante com a ideia e faz questão de contar a toda a gente que finalmente o meu livro vai sair para o mercado.

O João enviou-me uma mensagem com a morada da casa dele e eu guardei nos rascunhos para mais tarde usar. Jantamos em casa e hoje o Diogo sentou-se à mesa connosco, arranjou um concerto num bar do Bairro Alto e tem cada vez mais aderência por parte do pública ás músicas da banda dele - ao que parece toda a gente aqui por casa está Feliz excepto a Ana: temos de ver se fazemos alguma coisa para ver se a animamos.

No final do jantar apanhei um táxi e dei-lhe a morada para onde tinha de me levar e assim que chegamos entendi que aquele se tratava de um condomínio especial...

Toquei à campainha e logo apareceu o João para me atender - somo se estivesse mesmo à minha espera - subimos no elevador com uma conversa casual até chegarmos ao 3ºAC e deixei-o abrir a porta: era uma casa linda e decorada com o melhor gosto; dirigimo-nos à sala e ali sobre a mesa havia umas espetadas de morangos com chocolate e um garrafa de champanhe acompanhada de dois copos: eu não queria acreditar.

-Temos de festejar o novo best-seller nacional, não é?

Engoli em seco. Talvez ele não teivess entendido tão bem assim o telefonema de ontem.


in Lisboa - Memórias Futuristas



terça-feira, maio 04, 2010

Memórias Futuristas #14


Tal como o prometido é devido hoje vou ligar ao João e explicar-lhe que a nossa relação é estritamente profissional. Tenho andado cansado com tudo às voltas na minha cabeça mais o trabalho cada vez mais exigente na escola - fui destacado como uma aposta promissora e não quero desiludir.
A Raquel está com altas notas, ando muito orgulhoso dela e pelos vistos ela realmente conheceu um rapaz (o problema é que o miúdo é do Porto - e isso deixou-a um pouco em baixo).
A Ana está desolada: apanhou umas mensagens do homem das bolas com uma fã bastante intimas e a coisa deu para o torto. O filho da mãe deu-lhe cabo das estribeiras do coração e ela andou aí uns dias a suspirar pelos cantos. Para além de estar desiludida com o curso aconteceu-lhe esta - então agora fazemos os três reuniões de balde de gelado enquanto assistimos à oitava temporada de One Tree Hill.
O Diogo com aquelas coisas dele não o tenho visto - ele agora canta e toca guitarra numa banda - nunca vos cheguei dizer que ele tem uma voz muito sexy!
Bem, não posso adiar mais isto. Marquei o número
-Estou? - atendeu com uma voz alegre
-Sou eu João...
-Sim, eu percebi. Passa-se alguma coisa?
-Bem eu estou meio envergonhado...
-Tem a ver com aquela mensagem?
-Sim, tem! Eu queria dizer-te que...
-Diz lá! - ele estava entusiasmado
-Não quero que continues com ilusões! Eu gosto muito de ti como pessoa, mas só podemos ser amigos no máximo!
-Hmm
-Não leves a mal!
-Não, claro que não... Tenho uma novidade!
-Que foi?
-Acabei de ler o livro, vamos para a frente com isto!
-Sério? - estava tão feliz...
-Bem, sim! Quero que venhas amanhã a minha casa à noite assinar o contrato.
-Sim, eu vou até aí...
-Tens é de vir sozinho, sinto-te nervoso com o teu namoradito ao lado e é para analisares bem tudo.
-Hmm, pronto. Está bem. Então amanhã lá estarei, combinamos melhor durante a tarde.
-Perfeito! Mal posso esperar...

in Lisboa - Memórias Futuristas

terça-feira, abril 27, 2010

Memórias Futuristas #13


Hoje parece-me um bom dia para fazer um balanço do que tem acontecido e reflectir um bocado sobre o que trouxe até aqui. Então eu acho conveniente explicar o porquê de ser um pouco "bitchy" de vez em quando - a verdade é que nem sempre fui assim: sempre fui um romântico, um apaixonado pelo amor e pela sua busca. O problema é que tudo isto é muito bonito, mas é tudo uma grande palhaçada. Tudo que aprendi até hoje é que não há gajo nenhum que a certa altura não te passe por cima, não sei sinceramente o que vai nas cabeças ocas desta gente - mas desde quando é que dentro de um relacionamento existe competição para ver quem é o galo ou a galinha da história? se sou homem e gosto de homens, quero estar numa relação de dois galos e o assunto acaba aqui. Para além disso, não há um tipo que vá manter as calças vestidas muito tempo - começo a achar que é um problema do cromossoma Y gay do ser humano - portanto, quando atingi uma colecção considerável de remendos no meu coração e tirei este tipo de conclusões (entre outras não próprias a esta hora) comecei a ser uma beta também e a seguir mais o instinto que outra coisa.
Atenção, isto foi escrito ontem. Acho que estou mudado de vez depois da noite passada... Ando espantado com a Ana, ela e o homem de bolas já se começaram a fechar no quarto (não sei porquê ou para fazer o quê), mas é normal a miúda estar a ficar crescida; a Raquel anda mais desaparecida, cá para mim conheceu um rapaz e ficou sem tempo para mim: ou anda fora ou está a estudar. Torna-se complicado... Já o Diogo conseguiu entrar num grupo social de Lisboa a que ele chama de a minha "death possy" e para ser admitido teve de se submeter a umas provas descabidas - mas ele adora essas coisas, tem acesso a toda "high league" e fazem reuniões secretas que nem o objectivo entendi. Anda nas bocas por aí.
Agora sim, vamos à parte que me toca directamente - ontem á noite ao deitar-me recebi a tal mensagem do João e por momentos senti-me maravilhado com o sentido de conquista e a masturbação de ego que aquilo me estava a dar, mas pensei em tudo que vivi antes e percebi que o Rogério não era um gajo como os outros com sérios problemas de cromossomas. Vai daí que não resisti em ligar-lhe a contar o que estava a acontecer e desatei a chorar ao telemóvel; ele furioso veio como uma flecha ter comigo a casa e começou a disparatar com frases como "Eu vou mata-lo" e primas desta. Foi aí que eu disse que era grande e crescido e podia resolver isto sozinho - que não queria que ele se metesse.*
Foi difícil, mas ele acabou por perceber: disse que se ia deixar dos exageros e tentar manter isso para ele; depois fizemos amor e foi a vez mais brilhante de todo o sempre - quando acabou caíram-me lágrimas de alegria pela primeira vez: por finalmente estar ao lado de alguém com quem sempre sonhei.

* eu gosto que ele seja assim, confesso que gosto e muito; mas não posso correr o risco de perder a oportunidade de editar o meu livro.
in Lisboa - Memórias Futuristas

terça-feira, abril 20, 2010

Memórias Futuristas #12


Tenho-me focado (ou tenho tentado pelo menos) na minha relação com o Rogério - não quero estragar tudo: agora que matei o monstro da monogamia e consegui aceitar e querer isso para mim.
É que aquele almoço ( a que na altura eu chamei de reunião) foi algo de profundamente encantador e tenho tentado apagar algumas das imagens da minha cabeça! Desde que cheguei ao almoço que o João (que era o nome dele) foi o extremo de simpatia comigo: ele é totalmente charmoso e é alguém com um nível incrível; mostrou mais interesse em falar sobre mim do que no meu livro - mas talvez porque ainda não o tinha lido - fartava-se de me gabar a toda a hora e parecia que me conhecia há uma data de anos (algo mais que cliché, era mesmo inacreditável) e conseguia falar de mim sem falhas. Para além de pagar, escolheu o almoço sem pedir alguma coisa que incluísse carne e decidiu-se por uma cola para eu beber
-Alguém como tu não devia beber álcool a esta hora!
A certa altura, quando falávamos sobre a minha vida sentimental - que nem me lembro como a conversa foi ai parar - colocou a mão dele sobre a minha (algo que achei abusivo, mas não me pude dar ao luxo de não aceitar) e não pareceu uma espécie de prostituição psicológica ou uma simples troca de favores, estávamos numa conversa, num momento de partilha e quem sabe no início de uma amizade: e os amigos tocam as mãos uns dos outros.
O pior de tudo é que há uns dias fui até ao ikea com o Roger e pelo meio dos utensílios de cozinha lá apareceu o João todo charmoso e sorridente a acenar-me; lá fui eu aproximar-me com uma sorriso rasgado (ele a dizer-me que já tinha começado a leitura e que estava a gostar imenso) e logo apareceu o meu monstrinho com cara de desconfiado a pressionar-me para o apresentar
-João, este é o Rogério
Estendeu-lhe a mão com um sorriso amarelo
-O namorado dele!
Por momentos pensei ver o João a engolir em seco e a arregalar os olhos, mas provavelmente foi só impressão minha
-João, Prazer! Eu sou o editor...
No caminho até casa tudo se resumiu a um questionário em que o tom de voz não era nada amigável
1)Quem era aquele?
2)Porque não me contaste antes?
3)Almoço com ele?
4)Não entendes que ele é simpático demais?
e por aí em diante (vocês conseguem imaginar...). Bem não foi por mal e eu francamente espero que ele entenda que desta vez é diferente e que eu quero mesmo ser feliz para sempre com ele.
No entanto ao deitar-me à noite recebi uma sms que me deixou ás voltas na cama
"Não consigo parar de ler,
estou viciado na tua escrita
e não consigo parar de pensar em ti...Quero ver-te!
João"

in Lisboa - Memórias Futuristas

[ESTE É O POST NÚMERO 100 DO BLOG, SEXTA-FEIRA NO TRAVO&CANELA VAI-SE BRINDAR A ISTO!]
Parabéns Blog :)

terça-feira, abril 13, 2010

Memórias Futuristas #11


A Páscoa já lá vai e fui passa-la à minha querida terrinha. Pude estar com as loiras de novo, com a Vera, com o Nunes, o Maia e o resto dos rapazes e ainda ver a minha prima nova que não tinha tido ainda oportunidade. Foi bom voltar aos meus ares (e são tão bonitos nesta época); o Rogério ficou por Lisboa, mas ligava-me de manhã à noite - era sempre com as mensagens que acordava durante as férias: para além das saudades que apertavam a tensão sexual quando voltei estava no limite, não me deu descanso durante uma maratona de 24 horas.
O Diogo e eu estamos bastante bem na relação um com o outro - naquele dia eu entrei naquele quarto, mas para lhe pedir que se vestisse para que pudéssemos conversar. Sim, não foi fácil, mas ele agora entende que sou comprometido e até se tem encontrado com novas pessoas: o que me deixa mesmo muito feliz.
A Ana está radiante com o homem das bolas, ele veio jantar aqui a casa (percebeu logo que não éramos uma "família" normal) e foi por super simpático - parecendo-me um homem ás direitas e assim sendo (ainda jogando futebol) é o homem ideal para a miúda.
A Raquel está muito contente com os resultados da Universidade, no entanto começou a entender que isso não é tudo e acredito que ela também queira arranjar um homem para juntar à nossa (a crescer) família - já lhe expliquei (uma noite destas na varanda) que o Diogo está fora de questão e ela nem se preocupou muito com o assunto. Ela é demais e já anda a precisar de se apaixonar.
Quanto a mim: estou a amar que consegui construir com o Roger: estamos em pleno, em sintonia e nunca tive uma relação antes em que me sentisse tão amado e respeitado, já todos sabem como ele é comigo.
Ah! Ao que parece um amigo meu anonimamente contactou uma editora acerca do meu livro e conseguiu-me uma reunião com um dos responsáveis que me contactou ontem à noite. Estou a ir ter com ele neste momento - não contei nada ao Rogério, mas desta vez não foi por maldade, foi só porque ele não gosta mesmo que eu ande sozinho pelas ruas de Lisboa; de certeza que iria querer vir comigo... E esta, é a MINHA reunião.
Ao chegar deparei-me com um elegante homem de cabelos claros num penteado adulto de empresário e uns olhos verde-água que o tornaram numa pessoa muito interessante. Sorriu-me, pelos vistos esta reunião iria correr muito bem...

in Lisboa - Memórias Futuristas

quarta-feira, março 24, 2010

Memórias Futuristas #10


Quando tomamos uma atitude em relação a algo frágil na nossa vida, torna-se bastante complicado levar a decisão até ao fim quando somos testados até ao limite: se estou a tomar banho o Diogo entra-me sempre pela casa de banho a dentro; se estou a comer, ele come do meu prato; se estou a pôr roupa para lavar na máquina vergado ela dá-me com a mão no rabo e até durante a noite quando estou a dormir se mete dentro da minha cama agarrado a mim.
Não, eu não cedi - mas por vezes torna-se demasiado tentador para mim e não sei quanto tempo aguento nesta coisa do resistir; a Ana Luísa acha-lhe imensa graça e a Raquel cheira-me que até lhe acha graça a mais: tenho que ter uma conversa séria com ela (não vá esta história acabar mal), já o Rogério não achou piada nenhuma ao facto de um rapaz viver cá em casa agora (mal ele sabe do que esse rapaz é capaz). A Ana vai trazer o homem das bolas a jantar connosco (chama-se Daniel) e já vamos todos pode-lo conhecer num jantar de família que incluí o Rogério.
Quando cheguei a casa no final das aulas não vi ninguém
-Meninas?
Gritei, mas quem me respondeu foi o Diogo no andar de cima
-Não estão, foram ás compras!
-E o Rogério? Ele disse que vinha cá...
-O Rogério foi leva-las, elas pediram-lhe!
Okay, não estou com ciúmes - estou com aquele sentimento de que fizeram as coisas nas minhas costas apenas: elas vão ouvir das boas quando chegarem! Claro que ele não lhes ia dizer que não e elas aproveitam-se logo... Subi as escadas em direcção ao quarto e percebi que ele não estava vazio: o Diogo estava nu em cima da cama a ver "Family Guy"
-Temos a casa toda só para nós...
Fiquei na entrada da porta a debater-me com as duas opções possíveis: ou fugia dali e ligava ao Rogério para me vir buscar ou entrava naquele quarto e voltava ao meu antigo "eu"...

in Lisboa - Memórias Futuristas

Ps: Memórias Futuristas#11 sairá dia 13 de Abril

quinta-feira, março 18, 2010

Memórias Futuristas #9


Há algo bastante relevante que não vos cheguei a contar...
Bem, eu nunca vos cheguei a dizer que o Rogério é polícia de intervenção, que é herdeiro de enormes propriedades, que o dinheiro é um dos seus fortes e que é totalmente anti-drogas (provavelmente pelo seu background).
Estava a sentir-me arrependido por tê-lo tratado mal e ele estava a dirigir-se a mim (nu como veio ao mundo e com cara desiludida) e eu pensei "Ricardo, é desta que levas na cara"; quando subiu para a cama e ergueu os braços fechei os olhos num movimento reflexo pronto a levar uma latada valente na cara.
Não.
Não foi isso que aconteceu: ele abraçou-me no peito como quem protege o maior tesouro da sua vida e eu a sentir-me a pior pessoa do mundo...
Estava com vergonha, mas não por estar sem roupa - mas por ele me ter despido emocionalmente - veio à minha cabeça as traições, o Diogo, a maneira como o trato e percebi que tudo que sempre quis estava ali - alguém que me amasse a sério. Tudo bem que pode parecer maricas demais, mas comecei a chorar ali no colo dele e não aconteceu nada a não ser as mãos dele a afagar-me o cabelo. Sem o fazermos, fizemos amor.
A minha vida estava a mudar ali: tomei decisões grandes como dedicar-me ao Rogério e definitivamente deixar o Diogo para sempre fora da minha vida. Vestimos-nos e viemos até à sala
-Ricardo, ainda bem que apareceste... Quero-te apresentar o nosso novo colega de casa; como ainda tínhamos um quarto vago e ele é simpático... Eu sei que não te vais importar!
O rapaz estava sentado de costas para mim e virou-se lentamente à procura dos meus olhos
-Até acho que já o vi em algum lado antes...
Claro que o viste Ana, pensei. Ele já cá tinha estado antes; a cara do Rogério era de desconfiança e ele ainda nem sabia o que estava a acontecer
-Olá Ricardo, eu sou o Diogo. Prazer...


in Lisboa - Memórias Futuristas