Hoje sou eu, o Ricardo; trago-vos a notícia de que este é o último texto que escrevo para este blog que vai a caminho do primeiro e último ano de vida. segunda-feira, dezembro 08, 2008
Orgulho&Preconceito
Hoje sou eu, o Ricardo; trago-vos a notícia de que este é o último texto que escrevo para este blog que vai a caminho do primeiro e último ano de vida. sexta-feira, novembro 28, 2008
Boys Will Be Boys
By the way, Happy Birthday.
terça-feira, novembro 11, 2008
Chiquissimas, muito!

segunda-feira, novembro 03, 2008
Ao João, Claro
Quarta:Quinta:
O tempo passava cada vez mais devagar, começava a sentir os segundos a passar agora, cada um mais lento que o outro; de dia para dia sentia a respiração mais abafada (já para não falar das repentinas oscilações cardiologistas que sofria ultimamente): era a ansiedade a aumentar. Fitava o meu tecto escuro e não me saía da cabeça o momento em que iríamos estar juntos. Precisava de te ver cada vez mais como quem precisa da água e tinha medo que isso, por si só, não fosse bom de todo. Entretanto, adormeci.
Sexta:
Halloween. Fazia imenso frio lá fora e chovia de quando em vez, mas isso eram coisas que não afectavam o quente da nossa cama: onde eu estava entrelaçado em ti. No filme as pessoas iam morrendo uma a uma e eu pensava em como seria se te perdesse, apoiei a minha cabeça no teu peito e deixei-me envolver pelos teus braços musculados, estava tudo perfeito, sentia amor pela primeira vez, no seu estado mais puro, era bastante diferente de tudo que já havia experimentado, muito intenso e arrebatador e o medo que tinha desaparecia como água a ferver por detrás desses braços tão perfeitos, tão perfeitos: que eu implorava para que o tempo parasse.
Sábado:
Desaprendia o sabor do sexo e começava a aprender o do amor, que é muito mais terno e doce, que preenche muito mais as pessoas. Já não me lembrava do que isso era, a Felicidade que provem do Amor, aliás nunca a conheci desta forma - sempre tive esperança que a encontraria um dia e as minhas pernas concordam quando estão na conversa com as tuas, até os meus lábios que se sentem desidratados sem os teus sabem que a encontrei em ti. Sentia que não me faltava nada, que estava tão feliz que se o mundo desabasse eu não sentiria e não tenho mais medo desse sentimento. O vento soprava gelado lá fora mas cá dentro estava bem quente e aos meus olhos não parecia que iria arrefecer algum dia.
Domingo:
Sinto que podia viver sempre assim, acordar sempre a teu lado e dormir protegido nos teus braços, sinto que é mesmo isso que quero para mim, estou mais feliz que nunca: é como se tivesses o meu manual de instruções e soubesses exactamente o que fazer. Tenho vontade de me ir embora contigo, deixar tudo por ti, mas tudo tem o seu tempo e os teus olhos dão-me a certeza que isso acontecerá um dia, que seremos eu e tu com um para sempre em nós. Estou a voar muito alto e não me preocupo com isso, sinto-me amado, sinto-me protegido, sinto que vais ser sempre uma rede por baixo do meu voo bem sucedido. Sinto a tua falta na minha cama, em mim, sinto-me metade sem ti, incompleto e espero cá dentro que estejas a sentir o mesmo. Falta-me o teu beijo, o teu toque, aquele que quero ter em todos os dias da minha vida porque me são necessários. Sabes uma coisa? Eu amo-te.
domingo, outubro 19, 2008
Um Palhaço Chamado Soraia
-Soraia, entras a seguir.Fazia os últimos preparos, verificava as pestanas e o rímel, o pó de arroz em demasia, os pêlos da barba que escapavam sempre à pinça e colocava por fim o batom vermelho que me oferecia uma extra confiança e contrastava com perfeição a tez pálida que o pó me oferecia.
Eu era uma artista, ninguém me podia tirar isso, a minha profissão era ser artista. O meu filho Paulo nunca me aceitou como isso, ao inicio ainda me vinha ver com a Judite:
-Mãe, que vergonha é essa? O meu pai é um artista!
Acabou a achar que eu era um palhaço, cheio de pinturas e cabeleiras que me escondiam a identidade e eu nunca o chamei de filho. Quando ele estava por minha casa, onde apareciam as minhas colegas ou até clientes
-É o filho da minha irmã
Oferecia-lhe 20 escudos para ele se entreter na rua com guloseimas. Hoje sou apenas um palhaço velho a realizar o último espectáculo.
-Estás velha Soraia, já não tens idade para isto
E logo apareceu uma cara nova a quem chamaram de “ a próxima Soraia”, tantos anos dedicado e agora sou apenas substituído.
No dia em que a Judite me apanhou os vestidos e as cabeleiras que me escondiam a calvície: pôs-me as malas à porta
-Porquê Carlos?
Antes era apenas o marido perfeito, as figurinhas do bolo perfeitas, as amigas da Judite todas me cobiçavam
-Porquê Carlos?
Mais tarde tornou-se alcoólica, o Paulo foi levado pela assistente social e entregue a uma família conhecida do outro lado de Lisboa e quando o acabou o dinheiro enrolou-se com o dono do café do Bico da Areia em troca de vinho e com os outros cães todos por dinheiro.
Visitava o Paulo de tempos a tempos, até ao dia em que ele se meteu na heroína – queria voar – ainda pensei vê-lo por vezes entre o público, talvez com a Gabriela, a enfermeira que o ajudava e com quem acabou por se casar
-Aquele não pode ser o teu pai Paulo, é uma artista
Mas eu não sou uma artista, sou um palhaço chamado Soraia que envelheceu. Eu sou o Carlos, sem pestanas nem unhas, sem cabeleiras nem pinturas, eu sou o Carlos que ajuda a Dona Aurorinha do terceiro andar com as compras que ela não pode dos joelhos, sou o Carlos que era cobiçado e teve um amor em tempos, sou o Carlos, o pai do Paulo.
Eu sou o Carlos
-Soraia faz com que o cliente da mesa nove beba champanhe, fá-lo gastar!
A Dona Amélia andava com o cesto por entre todas as mesas a vender chocolates e cigarros, foi ela que nos ensinou a dançar a todas, estava mesmo acabada, era a única verdadeira mulher entre nós, sentiria a sua falta.
A Sissi chegava agora aos bastidores, olhei-me uma ultima vez ao espelho, verifiquei as pulseiras e os colares, estava à altura do meu último espectáculo
-Soraia para o palco!
Ao subir as escadas senti as costas a falhar, com espasmos contínuos, a luz focou em mim e senti os pulmões a abafarem, a tuberculose piorava de dia para dia, julguei ver o Paulo na plateia – talvez com a Gabriela -, julguei ver a Judite ao lado do Alcides, o porteiro e quando a musica começou e os meus lábios mexeram de acordo com a voz da Marilyn Monroe, ali a morrer eu ouvi uma ultima vez
-Porquê Carlos?
sábado, outubro 04, 2008
Never: Dejá Fuck
Em casa, na rua, na casa do vizinho, no café, no táxi, na praia, no monte, na empresa, no carro, na garagem, na banheira, em cima, em baixo: por todo lado. Apenas Sexo. E que feliz que sou. O sócio, o carteiro, o vizinho escultural, o velho milionário, o filho da Teresa, o tesoureiro, o barman do Bed, o DJ, o relações públicas: todos.
Sexo.
Não preciso de nada mais e sei que todas as minhas amigas gostavam de ser como eu pelo menos uma noite. Saborear o Sexo como só eu sei, sem afectos, nem chamadas, nem nomes, nem dejá vu ’s, apenas: Sexo. Entro e arraso, paro a pista de dança para mim e coitados dos ingénuos, depois de uma noite gabam-se aos amigos de terem comido um gaja boa sem perceberem que fui eu que os comi, eu que os escolhi, eu que fiz com que viessem ter comigo.
Sexo.
A Teresa diz-me que não me entende, que lhe assusta a minha capacidade de me assemelhar a um homem chapado, mas eu é que não entendo como é possível amarmos alguém para além de nós? Eu tenho amor por mim, e só partilho esse amor com outra maravilha como eu: o Sexo.
Sexo.
Eu tenho o desejo em mim, respiro prazer, preciso de sexo a toda a hora, todo o santo dia e isso não me acanha. O Sexo move o mundo, as relações; claro que eu sei que a Teresa só está com o idiota do marido porque ele é uma bomba na cama - também só serve para isso - para além de pagar as contas. Aquela mosquinha morta não tem nada a ver com o filho, o puto mais giro que já alguma vez vi. João Gonçalo: com 20 anos deu-me um dos melhores orgasmos de sempre; claro que a Teresa nunca descobriu (nem irá descobrir), não tem capacidade para imaginar isso. O puto ainda me bate á porta de vez em quando – nunca lhe resisto.
Sexo.
Faço questão de os fazer gritar o meu nome noite adentro – bem alto – “DÉBORA”, nunca o esquecem: Débora Montenegro; já eu nunca me recordo dos deles, são apenas mais uma vitória, uma noite bem passada, um troféu para juntar á colecção. Sinceramente acho que nunca descobrirei o amor na minha vida e isso fascina-me: já ninguém precisa dum homem a sujar a casa quando nós mulheres somos bastante independentes, com 40 anos sinto-me muito melhor sucedida que bastantes homens e ainda existe a possibilidade de sermos nós a ter de os sustentar.
Sexo.
Eu tenho o diabo no corpo e isso não acanha…
Por isso,
Sexo.
Bem Haja!
quarta-feira, setembro 10, 2008
Cabra (Não Mais) Garantida
Eu vou ser sempre azul-bebé ou rosa doce - uma das variadas cores puras – enquanto tu vais estar sempre manchado pelo vermelho sangue ou pelo negro. É com grande satisfação que te digo que não me afecta nada do que dizes, porque não passam de acusações frustradas de uma criança mimada (que é o que tu és) que perdeu o maior brinquedo. E como podes ser tu um garanhão por comeres tudo que anda, quando me acusas de ser uma puta por ter comido o Alfredo um mês depois de me teres deixado?Até posso não ser uma virgem mas não sou a puta que tentas fazer os outros ver, para além de me teres torturado durante quatro (enormes) meses, ainda querias estragar-me o resto da vida, mas estás muito enganado meu querido, tiveste a tua oportunidade de ter tudo que uma pessoa Feliz precisa, agora: ACABOU!
Da (nunca mais) Tua,
Margarida
quinta-feira, agosto 28, 2008
Vodka Martini

Ao sair do elevador verifiquei a minha agenda, eram tudo clientes habituais: a Constança, a Carmo e o André. O André dava-me a volta á cabeça desde o primeiro dia em que me falou. Estava no bar do hotel á espera de um cliente e ele não parava de olhar para mim - foi há cerca de 2 meses – pedi um vodka martini e ele, aproximando-se, ofereceu-se para o pagar. Olhei-o com diversão e esbocei um sorriso atrevido acompanhado pelo leve levantar da minha sobrancelha esquerda. “Gonçalo”, disse-lhe eu (não lhe estendi a mão, normalmente pagam-me para me tocar), “Que faz uma pessoa como tu por aqui?”, optei por não lhe dar confiança, sei bem que estava a alucinar com a minha imagem, “Estou em trabalho…”, “Trabalho? Deves ser modelo com esse aspecto!”, deixou cair o suporte do copo (que fazia publicidade a uma bebida nova qualquer) e mordiscou-me o joelho discretamente ao apanha-lo. Nesta altura estava a olha-lo com desprezo, (apenas por profissionalismo - porque eu adorei aquela dentadinha -) “Sou puta, sou caro, não sou para ti.” Olhava-me com cara de espanto, mas transformou-a num sorriso cínico “Não me digas o que posso e não pagar!”. Chegava a hora de subir ao quarto, tirei a minha caneta do bolso, agarrei-lhe a mão e escrevi-lhe o meu número na palma com força de forma a massacrá-lo (foi uma tentativa de mostrar quem manda) “Vais ter noticias minhas, vou ser aquele cliente por quem te apaixonas…” Mandei um ar superior, ele sabia como me irritar, mas mais ainda, como me dar a volta.
Uns dias depois ligou-me – não conhecia o número, não era nenhum cliente habitual – atendi com a minha voz sensual (que foi estudada com um profissional, quando comecei aos 17) “Que faz uma pessoa como tu ter um emprego desses?”, não lhe havia esquecido a voz, percebi que era ele, “Amanhã, o mesmo hotel, quarto 514, às quatro da tarde”, ignorou por completo o que lhe havia dito e repetiu a mesma pergunta que eu sempre evitei, “Dinheiro, luxo” disse-lhe eu, na verdade não foi só isso, o que mais me encorajou a isto foi a minha primeira desilusão amorosa, tinha 16 anos e acho que sofri demais para a idade que tinha, logo a seguir me tornei modelo e aos 17 comecei os meus primeiros trabalhos como prostituto; claro que o dinheiro me iludiu imenso, mas não foi a principal razão. “Lá estarei” e desligou o telefone sem mais perguntas ou dúvidas. No dia seguinte lá estava ele quando cheguei ao quarto, empurrou-me contra a parede e começou a beijar-me com garra (confesso que fui apanhado de surpresa, nunca se beija um cliente na boca). Nunca mais avançou, percebi que era passivo, agarrei-o, atirei-o para cima da cama e dei-lhe a maior foda da vida dele – confesso que a minha também, mas eu nunca admitiria isso – não era um cliente qualquer, mas eu não podia dar-me ao luxo de me apaixonar, recebi o meu dinheiro e pus-me a andar assim que ele se enfiou no chuveiro.
Liguei o meu Audi A5, preto de vidros escurecidos, e dirigi-me para a casa da Constança que me pagava para me algemar e me dar com o chicote (deve ter tido uma relação descontrolada e quer provar que pode controlar um homem) e de seguida a Carmo que me pagava para a fazer acreditar que a amava (deve ser uma solitária). E por fim o André, já tinha saudades dele, beijava-me sempre e hoje apetecia-lhe ser activo: deu-me um orgasmo fantástico e pediu-me que passasse o resto do dia com ele, a noite e a vida. “Tenho mais clientes á minha espera André, que me vão fornecer a porra de 7.000 euros.”; “Eu dou-te tudo que quiseres, vou fazer-te feliz Gonçalo”, devolvi-lhe os 2.000 euros que a última hora tinha valido e pela primeira vez olhei-o nos olhos “Consigo ver que vais ser mau para o negócio” disse-lhe instantes antes de fechar a porta e me enfiar no elevador, começava agora a perceber que talvez alguém invencível também precisasse de Felicidade.
terça-feira, julho 15, 2008
Boneca Insuflável

(vou reformular)
O amor não resulta. O destino está todo avariado - completamente distorcido e estragado - não está do nosso lado.
Nem sei bem que é isso de destino, nem sei se realmente existe (talvez alguém tenha inventado tal coisa um dia para que pudesse culpar algo pelo que lhe estava a acontecer).
Não podemos acreditar em tal coisa como o destino, não podemos esperar que tudo nos aconteça, temos de fazer por nós, criar o nosso destino.
Mas tal como eu disse antes:
-O amor não resulta
Vejo-me a mim próprio rejeitado pela pessoa que amo e a usar outra como um meio de obter prazer sexual
-Isso não está certo Pedro!
Grita a voz dentro de mim.
De facto sei que não está certo, ao início não aceitei isso, era contra mim, contra tudo que defendo; mas talvez seja tão fraco ao ponto de não resistir, digo sempre que não, aí começa o jogo de sedução e quando dou por mim já estou sem roupa.
Ninguém se sente usado aqui, sente-se feliz por fazer algo por mim, porque é a mim que ama e a sua maior frustração é não conseguir fazer-me feliz: apenas satisfeito (e simplesmente isso já lhe gera felicidade, conseguir dar-me algo)
Mas a voz grita cada vez mais alto
-Isso não está certo Pedro!
E eu ouço. no meu escuro interior eu ouço e pesa-me. Fujo-lhe sempre, escondo-me, evito-a e depois desisto; respondo-lhe apenas
-O destino é que não está certo, senão neste momento eu não usava ninguém, amava e era feliz.
P.s: I Do It For Love
sexta-feira, julho 04, 2008
Push&Wolf
segunda-feira, junho 30, 2008
Todos Diferentes, Todos Iguais
-Sorrisos, gracinhas, carinhos, cuidados-
Eram todos bons rapazes (simples e ingénuos, quem sabe: por vezes modestos) que me subiam pelas pernas acima
Ingénua de mim
-levada por sorrisos, gracinhas, carinhos, cuidados-
que ainda lhes atirava mais cabelo por onde treparem (julgando serem todos bons rapazes).
Acabei posta de lado por todos os bons rapazes que me deixaram
-sem coração, destroçada-
quando lhes revelei que não estava pronta para sofrer tudo para nada (tendo sido um dia levada por um bom rapaz que, após me desflorar, me deixou sem pudor numa tarde a chorar).
Então estes bons rapazes,
-cheios de sorrisos, gracinhas, carinhos, cuidados-
não levam nada de mim (que ainda me lembro da dor de uma flor quebrada e do choro de uma flor abandonada)
Mas caio sempre por estes bons rapazes e sempre caírei
-os sorrisos, gracinhas, carinhos, cuidados me iludem para nada-
pois eu Leonor: sou uma irrevogável apaixonada!