
quinta-feira, junho 26, 2008
23 (Anos Depois)

sábado, junho 21, 2008
Tudo O Que Queria Era Que Me Levasses Alto
A Alice arranjou um namorado, eu acho que é uma ocupação e sobre a Alice, quando acho, tenho razão, mas não é bem sobre isso que é este texto. Porquê tudo agora? Vi uma nova oportunidade de ver tudo o que queria realizado, de ficar com a única pessoa que amei até hoje e dar um final feliz a esta história que dura há quase meio ano.
Estou realmente feliz, ando radiante, somos amigos de volta e tivemos a conversa mais sincera que houve até aos dias de hoje sobre o dia em que tudo mudou, em que apareceu "Nada o Resto Importa". Uma porta abriu-se, uma janela e todo o mundo se abriu; o Sol radiou de tal forma que quase derreti até aos pés; o meu coração despertou e bateu de novo dando vida a todas as pontinhas secas do meu corpo. Apenas uma coisa girava à minha volta, nunca hei-de voltar a lutar contra isto, é a minha inspiração, não irei ficar depressivo, este sentimento apenas me traz felicidade e se um dia acabar é isso que vou recordar: este profundo sentimento de alegria.
Abriu-se sim uma porta, "Nem eu sei que gostas de mim, nem tu que gosto de ti!", "Segredo nosso"; um dia disse que tudo que previa não era nada de bom, mas hoje sim, hoje prevejo tudo de bom, tudo que prevejo contribui para a felicidade que cresce dentro de mim. Matei alguns pelo caminho e peço desculpa, sobretudo a Julieta que tanto me apoiou durante este tempo todo. Este tempo em que fui um egoísta.
Vou ter saudades disto, vou mesmo, saudades de me sentar aqui e vos contar uma história, vou ter mesmo saudades. Embora faça isto por mim, se não me lessem eu era nada simplesmente. Por isso leiam, gostem e sintam.
Talvez volte um dia, sim, talvez um dia venha matar as saudades numa tarde calma, talvez volte para contar a história de uma amor feliz...
domingo, junho 01, 2008
Se Tu Não Voltares

Pensei longamente nestas palavras, nestas mesmas palavras com que inicio este discurso para ti. Pensei na forma como te diria tudo da maneira mais suave, tal e qual uma injecção letal, a forma que te proporcionaria menos dor. Pensei na forma de como te diria que tudo não passou do inicio de nada, que todo o romantismo morreu em mim. Fui simplesmente um egoísta, queria mesmo ser feliz desta vez, queria mesmo acreditar que desta vez tinha encontrado a pessoa certa, a pessoa que ia acabar com tudo que me corroía, quis tanto acreditar que eras tu que te arrastei comigo. És simplesmente incansável, sabias sempre a palavra certa a dizer-me, sabias sempre como me arrancar um sorriso, sabias simplesmente consertar-me, mas neste momento, e desculpa ter percebido tarde de mais, eu não tenho conserto. Estou agarrado ao passado, não passo de um fraco, apenas mais um fraco. É demasiado forte, pelo menos mais que eu, mas ainda tremo de cima a baixo quando ouço aquela voz antiga que me matava com tais perfeitos decibéis reproduzidos, ainda me arrasto por uma milésima de segundo em que os nossos olhares se trocam, por conseguir aqueles olhos negros postos em mim, derrete-me.
Fazes-me feliz, preocupas-te comigo e era tudo que eu procurava, tudo que buscava e neste momento eu tinha encontrado tudo em ti, mas voltei a ouvir a mesma voz, lembrei-me da maneira como o meu coração se sincroniza ao ritmo de cada palavra drenada por aqueles lábios que há tanto tempo mantém os meus mortos de sede. É tempo de abandonar tudo, tempo de deixar que o tempo actue como enzimas sobre o meu simples esboço e recorde o passado como a primeira vez que me queimei de amor, apenas isso a primeira vez. Mas não Julieta, eu não vou deixar que isto parta, não consigo, não tenho voto na matéria, não tenho poder e se me perguntares, se me interrogares, eu não quero que o vento leve tudo de mim, não quero recordar isto como a primeira vez, mas como aquela vez. Não quero perder toda a minha inspiração, não quero perder isto tudo a que me sujeito diariamente.
A decadência que percorria aqueles olhos negros partiu, esvaiu-se, finalmente vi aquela pessoa por quem me apaixonei um dia e não uma camada imensa de egoísmo que se arrastava por aí como um parasita, que se aproveita dos outros. Voltei a ver a tonalidade de negro que me deliciava e não o negro embaciado que havia nestes meses. E voltei a ver aquele sorriso. Nunca vi igual. Nunca um simples alinhamento de dentes me cortara a respiração como aquele sorriso. É um sorriso em extinção, já ninguém sorri de maneira tão convicta e profunda, ninguém sorri assim…
Quero que sejas feliz, quero mesmo. Gostava de te fazer feliz como me fazes, gostava de te fazer sentir que nada que me disseste foi em vão, que me ajudaste bastante, que me ajudaste a fortalecer o meu telhado, que tornas-te as minhas lágrimas mais duras e pesadas, mais difíceis de sair. Gostava de te fazer sentir que és especial, ainda que ao leres estas palavras sintas revolta, ainda que provavelmente eu torne as tuas lágrimas mais leves do que nunca. Prometi que um dia te escreveria algo, algo destinado apenas a ti, mas percebo que não fosse isto o que esperavas ler, entendo que esperavas que tudo que escrevesse fosse para te unir mais a mim, para fortalecer mais ainda o laço que me ata a ti. Mas escrevi isto apenas, escrevi para que percebas o que se passa, para que percebas o que sinto, ainda que me pareça difícil, ainda que te pareça difícil. És capaz de não me perdoar depois desta, mas se não voltares não haverá esperança. Se não voltares tudo que me disseste foi em vão, todos os sorrisos que me roubaste foram em vão, todos os momentos em que me senti consertado não valeram de nada, porque se não voltares a falar comigo não haverá vida, não sei o que farei.
As mesmas lágrimas que avolumaste correm agora como lâminas sobre a minha face, desculpa eu ter sido egoísta, desculpa eu não ter nada de especial, ser apenas mais um fraco que não resiste à força do passado, desculpa esta carta não ser uma injecção letal mas uma forma de te matar mais lentamente.
João Paulo.
quarta-feira, maio 21, 2008
Talvez Sejas Tu A Salvar-me
Não quero crescer, não quero ser adulto e sujeitar-me às responsabilidades várias a que a vida nos obriga, não quero mudar mais, estou tão bem assim. Quero que o tempo pare e que tudo se mantenha, mas juro que por agora dava jeito que ele andasse mais rápido. É desta controvérsia que tenho, de querer parar o tempo e de no mesmo momento desejar que ele passe mais rápido.
Só tenho medo do tempo. O ponteiro dá um saltinho, faltam cerca de trinta minutos. Trinta eternos e intermináveis minutos, cheios de nada, cheios de controvérsia enquanto rebolo em mim. Quero gritar, quero desvanecer na sombra da noite, ser levado pelos meus atormentos, quero ser levado com o tempo, tal como sou, não crescido, não mudado, tal como sou. Quero ser escravo, submisso de alguém, quero que me ordenem, quero que me façam acreditar na autoridade renegada. Quero ser livre, fazer tudo o que quero, eu quero gritar... Eu quero acreditar que desta vez tenho a certeza, quero fazer de mim Romeu e encontrar o que procuro, quero ter a certeza que encontrei os meus enlevos sem pensar nos violentos fins últimos. Romeu morre, Julieta morre, quem me convence que eles apenas não tiveram tempo de se fartar um do outro? Quem? Ninguém... Mas também não preciso, eu acredito. Acredito no medo e no amor eterno de Romeu e Julieta.
Dez últimos míseros minutos, continuo a rebolar, continuo com medo, quem me culpa por escolher o caminho mais fácil? Quem me culpa por negar amor verdadeiro por amor fácil? Quem me culpa por fazer o melhor para mim? Que importa que ame alguém se escolhi ficar com alguém que me estima? Nada importa mais, ninguém me culpa. Vou fugir, vou desvanecer na noite...
Acabou o tempo. O meu telemóvel dá sinais de vida. É a Julieta... Esperei uma noite inteira pela primeira mensagem do dia da Julieta , são oito da manhã. O tempo não passava, mas passou... O tempo passa, vou crescer, mudar, quer eu queira, quer não.
P.s.: Wonderwall - Ryan Adams
quinta-feira, maio 15, 2008
Centro das Atenções
"A sério?" Olhava-me com uma cara surpreendida mas bastante alegre, "Até que enfim!", até que enfim?, eu não queria aquilo, queria que a minha velha história de repente virasse Bela Adormecida e eu fosse acordado por aqueles olhos negros em mim, era mesmo isso que eu queria, que a Alice dissesse "Até que enfim" por eu finalmente ter ficado junto de quem sempre quis, mas eu sei, acabou. É isso que tenho de perceber, que acabou, de vez.
"Não tenho bem a certeza do que estou a sentir, é uma pessoa que se preocupa e importa, acho que é isso de que estou á procura." Sim, quero que se preocupem comigo realmente, talvez por ter sido bastante ignorado antes, quero mesmo que se importem onde estou e o que estou a fazer a toda a hora, se estou feliz, triste ou entalado, que façam tudo para me ver bem. Tenho parâmetros bastante altos, mas juro que antes não era assim, fiquei bastante exigente e desidratado e por isso preciso que me façam isso, que me hidratem.
"O que importa é que é alguém novo João! E quem é?", aquela pergunta não, aquela pergunta não. Não queria responder, não estava pronto para lhe oferecer aquela resposta, não para já. "Alguém, não conheces! Debatemos isso mais tarde, sim?", o meu tom era bastante atrapalhado, nunca conseguia enganar a Alice, era impossivel. "Já percebi, quando quiseres dizes-me, não precisas de tentar escapar!"
É por isto que gosto tanto dela, é como o papel, nunca exige e está sempre lá, era dela que precisava ao meu lado para enfrentar o que vinha aí, é ela que eu preciso para desabafar de todos os "loopings" da minha vida. "Tenho medo Alice...", "Medo de quê?", "Medo de me apaixonar!".
P.s.: Center Of Attention - Jackson Waters
terça-feira, abril 08, 2008
7 Dias, 7 Semanas
"Como estás?", realmente eu não sabia como responder áquela pergunta, os últimos dias tinham sido bastante atribulados e intensos mas agora eu estava bem, devia responder simplesmente isso? "Bem"? A Alice esperava impaciente do outro lado do telefone enquanto eu fazia cálculos mentais para encontrar uma resposta que definisse o meu estado de momento. A Alice sabia mais agora do que ninguém, acho que revelei tudo, acho que mais exposto eu não podia estar e mesmo assim eu não sentia isso, não me sentia exposto. Nada havia a fazer, não podia dizer que me enganei, que estava confuso ou até voltar atrás no que disse, restava fugir para um lugar bem longe, para me afastar dessa sensação, a exposição, mas não. Não me sentia exposto.
"João Paulo?", o limite de paciência tinha sido atingido e a Alice persistia em ouvir uma resposta da minha parte. Percebi que embora não soubesse tinha de lhe oferecer uma resposta. "Não sei Alice.", percebi que mais uma vez não podia ter sido mais sincero, mas era uma óptima questão essa, "como estás?", naquele dia não era um bom dia para respostas, tal como o dia em que desisti de viver, esse não era um bom dia para respostas, esse era mais um dia que "Como estás?" soava a desconhecido, era um dia em que não sabia o que fazia, apenas continuava a deslizar a lâmina sobre a minha pele e observava como se eu de um estranho me tratasse. Ainda hoje não sei porque o fiz, já lá vão dois pares de meses e desde aí acho que sou uma pessoa bastante renovada, não mudada, renovada.
"Que tens?", a Alice continuava a insistir numa conversa, não tinha nada, era isso mesmo, estava vazio, não tinha nada e pela primeira vez tive medo do que vinha a seguir. Tive medo que se cansassem de mim, que se esquecessem que eu existo e me deixassem cair no ridiculo do esquecimento. Que gostassem tanto de mim e tornassem isso uma simples rotina, tentando um dia variar e deixarem de me dizer "Como estás?"
"Estou cansado Alice!" Menti-lhe, não estava cansado, estava vazio e isso torna-nos pesados, torna as respostas difíceis de sair, pois não existem, o vazio não deixa nada a dizer, não deixa todas as palavras presas na garganta gritando por sair, tal como quando guardamos um segredo. "Cansado?", eu ouvi o tom, a Alice sabia que eu não estava cansado, ela conhecia-me melhor que algum outro e talvez visse naquele momento que não havia resposta, que não havia nada.
"Estarei sempre aqui Alice, a uma chamada de distância...", e nesse momento desliguei o telefone sem deixar mais alguma pergunta me atacar, aquele não era um bom dia para respostas.
P.s.: 7 Days, 7 Weeks - dEUS
sábado, março 22, 2008
Lágrimas Secam Por Si
sexta-feira, março 07, 2008
Pelos Céus Azuis
Perdemo-nos no caminho para a cidade, não porque não o sabiamos, pois isso estamos fartos de saber, mas porque nos desviamos da estrada, rebolamos colina abaixo, batemos com as costas na relva e demos conosco ali deitados a olhar as nuvens. "Olha uma ovelha a ficar sem cabeça", "um pássaro sem asas", ficamos ali apenas, a analisar as nuvens e tudo pareceu perfeito. Naquele dia estava a viver o momento, ontem estava tudo perfeito pela simplicidade de estar ali com a Alice simplesmente a dar lárgas à mente enquanto observavamos as nuvens.
Não sei se era isto que merecia, o perdão da Alice, sentir-me feliz, largar a tortura, mas olhar as nuvens ontem foi melhor do que cada momento em que vi o amor a correr para mim, soube tão bem que era capaz de viver daquilo, da paz de analisar formas pouco consistentes no azul do céu. Não sei se era isto que merecia, mas sinto-me feliz.
Estou sentado na cama e observo a Alice a dormir ao meu lado ainda morta de sono, devem ser nove da manhã, mas não conseguia dormir mais. Ontem começou a escurecer e quando demos por nós já não se viam nuvens nenhumas, apenas haviam estrelas, as mesmas de sempre, as estrelas que observava quando me sentava no parapeito da minha janela e ficava ali a pensar no vão das coisas que fazia ultimamente, sozinho, quando toda a cidade já dormia, quando via um pirilampo ou outro a passar ao longe e invejava a sua liberdade. Mas ontem eu não estava sozinho, ontem não havia sinal de pirilampos e a Alice estava ali com a sua cabeça sobre o meu peito. Achei por bem levantarmo-nos e pormo-nos a andar, os meus pais deviam estar preocupados tal como os dela, mas como não queria separar-me dela, pedi-lhe que viesse comigo e que passassemos a noite juntos, apenas nós. Jogamos Trivial e ficamos debaixo dos lençóis aconchegados um no outro enquanto falavamos do último mês, fico feliz por ela não ter desistido nunca de mim, apesar de talvez ser isso o que eu merecia.
Neste momento a Alice acordou e saudou-me com um "Bom Dia" melodioso, já não me lembrava das saudades que dela tinha.
segunda-feira, março 03, 2008
Talvez Amanhã
